Max Payne - Análise

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Fabricante: 3d Realms
Distribuidor: Gathering of Developers (PC) / Rockstar Games (Outras plataformas)
Desenvolvedora: Remedy Entertainment (PC) / Rockstar (PS2, Xbox e GBA)
Data de Lançamento: 25 de Julho de 2001
Plataformas: PC, Playstation 2, Xbox, Xbox 360 e GameBoy Advanced
Gênero: Ação
Número de jogadores: 1 (um)

Trailer Oficial apresentado na E3 2001
Em um pesadelo, qualquer escolha que você faça é errada

   A primeira vez que eu ouvi falar em Max Payne foi a tempos muito distantes, de uma época em que eu não tinha sequer um computador em casa, e era dependente (literalmente) de Lan Houses. Nessa época, nem todo mundo tinha computador, aliás, uma pequena minoria tinha esse privilégio, e essa pequena minoria sempre comentava do tal jogo Max Payne, e quando eu questionava sobre o que era o jogo, a resposta girava em torno de “você é um policial que pode usar os poderes iguais do Matrix (filme, que na época era sensação)“. 
   Hoje, quase 11 anos depois do seu lançamento, fui forçado a passar por uma abstinência total de consoles, devido a problemas técnicos, e tive que me suprir minhas necessidades gamers apenas com jogos de computador (levando em conta que o meu não é nenhuma benção tecnológica).  Foi então que, num relento da vida, me lembrei desses antigos diálogos de escola e pensei em aproveitar essa “seca” para conhecer o tão bem falado Max Payne, já que, sendo o jogo antigo, eu não tinha que me preocupar com a configuração do meu computador. 


   Logo que instalei Max Payne já tive uma surpresa: o jogo é totalmente em português, incluindo a dublagem ! Claro, não é um trabalho super-profissional como os (alguns) de hoje em dia, é possível notar o uso de sintetizadores, e algumas vozes podem soar meio robóticas, mas isso é irrelevante em contraste com a obra que é o jogo. Os diálogos são repletos de metáforas e trocadilhos, alguns bem manjados, mas em contrapartida alguns muito bem pensados, fazendo com o que jogo soe em boa parte como um livro, ou uma história em quadrinhos obscura.
   A trama conta a história de um policial, chamado Max Payne (=O), que se encontra em um momento bastante estável de sua vida, casado e com uma filha recém-nascida, vivendo em sua casa própria e sem maiores preocupações, ele mesmo descreve essa situação como “em um sonho americano”. Porém, como para um jogo existir (a não ser que seja algum The Sims), é necessário que algo mude toda essa normalidade, então um belo dia Max chega em sua casa e nota algo estranho. Logo ao entrar, se depara com uma pichação na parede de sua sala, um símbolo que parece uma seringa, que no jogo é usado para identificar os usuários da droga Valquíria (chamada pelos mais chegados de V). Perplexo, ele passa pelos cômodos da casa e descobre que infelizmente já é tarde, sua mulher e filha estão mortas. Aquela seringa na parede era a única pista que havia restado, porém o necessário para que Max descobrisse que sua família havia sido assassinada por usuários da droga, levando em conta que, entre os efeitos da droga V, eram comuns alucinações apavorantes e violência demasiada.


   Depois desse episódio trágico, Max pede para ser transferido para o setor de Narcóticos da polícia, lugar onde poderia caçar todo o pessoal envolvido no comércio da droga Valquíria e assim arquitetar sua vingança (não que isso fosse trazer sua família de volta, mas como dito, algo precisa acontecer para termos um jogo).
   Logo no começo da trama, Payne cai em uma armadilha da máfia e acaba sendo acusado pelo assassinato de um de seus colegas de trabalho, o que consequentemente coloca também a polícia na sua cola, e durante o jogo todo, Max é divulgado para toda Nova Iorque como um assassino armado e perigoso.
   Esse é você na trama, um homem sem casa, sem família e que precisa viver se escondendo para não ir para a cadeia/morrer. Com essa premissa é que o jogo realmente começa e te emerge nessa insaciável caçada que mostrará ser muito mais complexa do que parecia.


   O modo como a história é passada é muito interessante, além de algumas poucas cenas em CG, a grande maioria do roteiro é mostrado através de cenas ao maior estilo HQ, com todo um ar macabro e sombrio, regado por frases célebres e metáforas que deixam alguns pensadores no chinelo.
   A ação e o suspense são pontos muito focados pela Remedy, e em momento algum você se sentirá seguro. A jogabilidade é bastante intuitiva e familiar, a física do jogo é boa, apenas deixa a desejar em alguns saltos com a barra de espaço, mas nada que comprometa. O diferencial, que com certeza foi muito bem elaborado, é o famoso Bullet Time (Tempo de Bala). Para quem nunca ouviu esse termo, vou tentar explicar do modo mais fácil possível: Acredito que todo ser humano já tenha assistido o filme Matrix, certo ? Lembram no final, quando o Neo está sendo baleado pelo Agente Smith e de repente toda a imagem fica em câmera lenta, sendo possível para Neo ver a trajetória das balas e desviar ? Muito bem, esse efeito é o chamado Bullet Time.

Matrix

   Agora, voltando ao jogo, o Bullet Time foi incorporado com excelência e é extremamente funcional, não está no jogo apenas para gerar algumas cenas bonitinhas. Na versão para PC ele é ativado de duas maneiras: é possível ativar a qualquer momento clicando no botão direito do mouse, ou é possível ativar durante um pulo para qualquer direção, apertando Shift + direção do pulo. Em qualquer dessas duas situações o tempo fica muito lento, praticamente parado, porém a mira se move normalmente pela tela, sendo possível arquitetar grandes massacres em apenas um salto ! Obviamente esse "dom" não é infinito, porém são raras as ocasiões em que o jogador se vê sem ele.


   Outro “bônus” do jogo acontece quando você consegue um tiro certeiro no inimigo, é possível ver em câmera lenta o projétil acertando e o sangue do infeliz esguichando, além do que, se você continuar atirando, é possível ver as várias balas atravessando o pobre bandido.
   O jogo composto de três partes, cada uma delas com diversos capítulos, todos devidamente nomeados. Grande parte das fases acontecem em lugares fechados, mas existem diversas exceções, algumas fases se passam em lugares normais como portos ou ruas, em contrapartida algumas se passam em lugares bastante abstratos, como um sonho e uma alucinação da droga V. As fases, em sua grande maioria, são lineares e não oferecem ao jogador muitas opções de exploração.
   Max tem a sua disposição uma boa quantidade de armas, o jogador começa com um calibre 45, mas com o passar das fases, vai adquirindo novas armas, que vão desde Espingardas e Rifles a Lança-Granadas e Coquetéis Molotov. Para restaurar a vida o jogador precisa procurar por analgésicos, que são achados em diversos lugares [sempre procure nos banheiros], e para usar esse medicamento é só apertar Tab, a energia não é restaurada na hora, mas se restaura lentamente. Quatro analgésicos são o suficiente para recuperar totalmente a energia.


   A qualidade gráfica, mesmo para os dias de hoje, é muito boa. Na época de seu lançamento, foi um dos jogos mais bem aceitos pela crítica, e um entre seus pontos fortes, o mais considerado foi o gráfico. É claro que ainda é possível ver alguns polígonos, principalmente em partes mais detalhadas dos personagens, como as mãos e o rosto, mas nada disso interfere na experiência geral que o jogo oferece. Os cenários são detalhados, existem pichações por todos os lugares, e o clima de vazio sempre é evidente (claro, só o clima, já que, como foi citado, o jogador nunca se sente seguro).
   A sonoridade também cumpre prontamente seu papel. Raras são as músicas do jogo, já que o clima geralmente é silencioso. É possível ouvir o vento assoprando fortemente do lado de fora dos edifícios, em contraste com as sirenes das viaturas.


   Ao se aproximar de uma sala que têm inimigos, geralmente é possível ouvir alguns pequenos diálogos entre eles, todos bastante originais e alguns bem engraçados. Em uma das fases, por exemplo, se ouve algo como "Esse plano não vai dar certo" - "Eu sei, mas temos que seguir as ordens"; Em um ponto do jogo, se você entrar em uma certa sala e depois sair, dá pra ouvir os bandidos conversado: “Você vai lá pegar ele ?” – “Eu não, não sou louco”.
   Hoje eu entendo porque boa parte do pessoal que jogou Max Payne fala bem, o jogo é uma obra, com um  enredo muito interessante que durante todo o jogo está surpreendendo o jogador; uma parte gráfica  ótima, que me faria condenar qualquer gamer new school que pensasse em dizer que o gráfico é ruim a cadeira elétrica; uma sonoridade, mesmo às vezes se tornando monótona devido ao excessivo silêncio, cumpre muito bem seu papel; tudo isso sem mencionar novamente que todo o jogo é em Português do Brasil (PT-BR).
   

   Se você ainda não jogou, não espere uma abstinência como a minha para conhecer esse jogo e o faça o quanto antes. Max Payne é um jogo curto que não vai lhe custar mais do que seis horas, faça um esforço e reserve um tempo na sua agenda para desvendar todos os mistérios envolvidos por trás da polêmica droga Valquiria. Acredite, essa história vai muito longe...




RESUMO

Prós:

-Enredo bem escrito e elaborado
-Gráficos definidos
-Totalmente em português
-Realiza um dos maiores sonhos de todo nerd: ser o Neo

Contras:

-Curta duração
-Sonoridade levemente pacata
-Linearidade excessiva
-Todo mundo quer te matar

GAMEPLAY DE 7 MINUTOS

GAMEPLAY DE 12 MINUTOS

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